quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Forgive me, Shakespeare



Aprendi a não enganar meu coração e nem criar expectativas. As pessoas te surpreendem o tempo todo para o bem e para o mal. A questão é como você reage a isso.
Aprendi a viver um dia de cada vez, trilhando meu próprio caminho, fazendo minhas próprias escolhas e encarando todas as consequências de peito aberto. Cantando a canção para assim aprender os versos.
Aprendi que o processo da mudança pode ser mais prazeroso do que continuar na zona de (des)conforto. Aprendi que as escolhas que fazemos a cada segundo podem mudar e decidir o resto de nossas vidas.
Aprendi que nem tudo que começa de forma ruim vai necessariamente acabar de forma ruim. Sempre vai haver mais de um caminho, e esse é o momento de colocar a mochila nas costas e fazer nossa própria jornada, pois um homem muito sábio disse certa vez que "a jornada é mais importante do que o fim ou o começo".
Aprendi que a gente vai se olhar no espelho algumas vezes e não vai se reconhecer e que isso é bom. A gente só começa a se encontrar quando se percebe perdido, desorientado. É aí que a gente arruma forças, sabe lá Deus de onde, pra recomeçar e seguir em frente, para travar mais uma batalha, e até quem sabe, ganhar mais uma guerra.
Aprendi que existem pessoas que você acabou de conhecer mas que fazem uma diferença exorbitante em sua vida. Pessoas que você começa a amar no segundo em que as conhece e consegue amá-las dez vezes mais a cada dia.
Aprendi que se vai longe por algumas pessoas.
Aprendi que as canções que eu cantava hoje me cantam. E que elas contam histórias, e que algumas delas são muito reais.
Aprendi que todo mundo algum dia já se leu numa canção. Que todos já tiveram suas vidas expostas com riqueza de detalhes numa letra. Nossas vidas e mortes escancaradas da forma mais absurda, doentia e perfeita possível.
Aprendi que com o passar do tempo a gente deixa de se importar, que as nossas prioridades mudam e que nem tudo é prioridade.
Aprendi que a música acaba, mas eu vou dançá-la até o final.
Aprendi que as pessoas mudam. Aprendi que se eu me agarrar ao vento da mudança eu posso ir muito mais longe.
Aprendi que o tempo sou eu quem faço. Mas também sou eu quem perco...
Aprendi que se pode rir e chorar ao mesmo tempo. Que dá pra oscilar entre a tristeza e a alegria num piscar de olhos. Aprendi que se pode rir a cada lágrima e esconder a tristeza numa centena de sorrisos.
Aprendi que mesmo quem canta bem alto pode não ser ouvido, mas que muitos sussurros são ouvidos à quilômetros de distância, e são tão pesados, sombrios e miraculosos que podem curar males históricos e salvar pequenos mundos.
Aprendi que mesmo depois de um tempo é possível se arrepiar com aquela música que você conhece desde sempre. Aprendi que se descobrem mundos novos em canções antigas.
Aprendi que depois de um tempo você começa a querer coisas novas, o que não quer dizer que algumas coisas do passado não te façam mais feliz.
Aprendi que só o fato de a gente não se desesperar já ajuda bastante. Aprendi que com a mente limpa é mais fácil de se achar uma solução, mesmo quando não há crença em nenhuma.
Aprendi que algumas coisas que já não te faziam mais suspirar podem tirar seu fôlego tão rapidamente que você nem vai saber o que foi que lhe atingiu.
Aprendi que nem tudo está perdido. Sempre vai haver alguém insistente o bastante para recuperar aquilo que se achava irrecuperável.
Aprendi que ainda pode haver alguma esperança. Só temos que procurar mais um pouco. Aprendi que nem sempre a gente aprende a lição, mesmo tendo voltado dez vezes para o mesmo lugar. E a gente reza todos os dias por mais uma chance de fazer as coisas do jeito certo e não cair no mesmo erro.
Aprendi que às vezes é necessário olhar para o passado para conseguir entender quem você é agora. E entender também todas as razões pelas quais você não é diferente.
Aprendi que ainda é necessário aprender muito mais, e que não se pode aprender sozinho.


2 comentários:

Garotinha Jê disse...

"Aprendi que todo mundo algum dia já se leu numa canção."

Sei não, acho que é sozinho mesmo que se aprende.
D alguma forma, a gente acaba sempre só mesmo...

Belíssimo texto, pra variar. :)

Carcará disse...

Belo pensamento.