sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Até se quebrar

Perdeu as contas de quantas vezes havia sentido aquela vontade transbordante de chorar. Se aninhava toda em seus próprios braços e esperava a vontade ir embora. Nem sempre funcionava e ela ficava a mercê da confusão de sentimentos que viria a seguir.

Tentava observar as pessoas. Não sabia se por trauma ou se pela necessidade de tentar entender o que se passava a sua volta. Muitos momentos eram tão ridiculamente irreais que chegava a se perguntar se estava acordada ou se era apenas um sonho.

Tinha sonhos que não queria que acabassem. Tentava dormir novamente todas as manhãs para recuperar aquilo que a vida real estava lhe tirando. Nunca conseguia. Mas repetia o mesmo esforço frustrante todas as manhãs.

Tentava lutar contra as pequenas manias e as grandes loucuras. Passava horas remoendo as coisas que precisava fazer, e quando realmente as fazia nunca se sentia inteira. Nunca útil.

Via as linhas tortas por todos os lugares, mas nunca realmente consegui enxergar as palavras certas escritas sobre elas. Não estava em sua melhor forma para entender bem as coisas.

Pensou até em ficar funcionando só no automático por uns dias, mas também não pôde. Não em dias como esses.

E olhava para os céus aflita, como que à espera de uma mensagem que ela teria muito trabalho para decodificar. E se perdia entre aviões...

Se sentia inútil, sozinha, deixada para trás por si mesma. Seu outro eu não teve tempo de colar seus cacos e seguiu sozinha. Jamais se ouvira falar dela outra vez.

E mais uma vez apostava suas fichas num dia até se surpreender novamente pelo fato de que aquele dia se tornara outro com a mesma facilidade e imprevisibilidade de dois anos atrás.

E ela tem uma nova obsessão. Ou duas...

Já estava ficando louca. Ou pior do que isso. Talvez estivesse ficando sã...

"Nós nadamos contra as ondas
E nos chocamos contra a costa
O corpo se dobra até que se quebre
O amanhecer não canta mais
Então descanse sua cabeça, é hora de dormir
E sonhar com que está para vir
O corpo se dobra até que se quebre
E depois não mais irá cantar
Pois o tempo rasgou a pele em pedaços
O amanhecer  não cantará jamis..."

O quão mais meu corpo precisará se dobrar?

Um comentário:

Zinho disse...

Gostei muito do texto. Quase entrei em êxtase quando abri meu blog e vi que havia um novo texto aqui! Fico muito feliz mesmo que tenhas voltado a escrever e desejo que este seja um dos muitos que virão. Admiro demais seu modo de escrever. Força e sucesso aí! Bjão!