domingo, 21 de agosto de 2011

Ela


"Ela se derramava em restos de poesia, se perdendo em sonhos que nem eram mais seus.

Ela tinha os olhos mais tristes já vistos. E um sorriso despedaçado.

Ela aprendeu, depois de muito procurar por respostas, que mudança não tem nada a ver com um mês ou com um corte de cabelo, mas sim com o fato de se ter consciência daquilo que se é, daquilo que se quer ser, e encontrar coragem suficiente para isso.

Ela fecha os olhos e tenta encontrar razão na bagunça que é se ter três pessoas diferentes dentro de si mesma.

Ela se apega a histórias e formas de viver diferentes, como se montasse um quebra-cabeças, na esperança de, assim, montar sua própria vida.

Ela se esconde em desejos surreais e fachadas facilmente quebráveis, tentando se livrar dos resquícios de um de seus muitos "eus".

Ela olha para os céus assustada. Temendo que a vida estivesse a lhe pregar outra peça, e que essa escuridão  na verdade fosse o sinal que lhe faltava, a peça final que a levaria até a eternidade, ou ao fim de tudo.
Ela se desencaminhava a todo momento, mas depois voltava ao estágio do tentar entender.

Ela sentia raiva. Por achar que não era assim tão importante, por não ser mais objetiva, por achar que nada estava claro o suficiente, e às vezes apenas pela necessidade de mandar alguém para o inferno.

Ela ainda se encontrava nas músicas. Delicadamente. Insanamente. Perigosamente.

Ela sentiria falta... Se houvesse algo para sentir.

Ela ansiava aquelas palavras. Ela sentia falta disso todos os dias. Um pouquinho mais aos Sábados, um pouquinho menos aos Domingos.

Ela se arriscava demais. Se envolvia demais. Só não sabia entregar seu coração.

Ela se apaixonava por vozes e lembranças, por fotos e filmes. Se apaixonava por pedaços de papel. Mas nunca por pessoas.

Ela queria dar um tempo. Pensar em algo novo. Sair pra ver o mar. E quem sabe até sentir frio numa manhã de verão no Canadá.

Ela se pergunta a razão de não parar de pensar no dia em que morreu. Ela queria entender como voltou à vida.

Ela entenderia se você fosse chorar agora. Ela entende o motivo pelo qual mesmo depois de anos você ainda precisa dela. Ela sabe o que você viu. Ela só não sabe se aquilo ainda está vivo, alí, dentro dela."

2 comentários:

Shagaly disse...

"Ela sentiria falta... Se houvesse algo para sentir."

Ai, como você pode sair falando dos sentimentos alheios assim? Definitivamente, você não escreve, distribui boas doses letais de você por aí.

Garotinha Jê disse...

Ai, como eu queria não saber...

Ela não tem que ficar pensando em como voltou a vida, ela tem é que aproveitar a segunda chance e fazer tudo diferente.
Mas ela não vai me ouvir mesmo...