segunda-feira, 30 de maio de 2011

Outra vida


Se descobriu mais forte do que podia imaginar, e por incrível que pareça não gostou disso. Já estava cansada de saber que Aline tinha predileção pela tristeza, só não sabia que ela também tinha. Sabe-se lá também se não era Aline voltando.

Queria ter o direito de sofrer sua dor. Queria bebê-la até a última gota. Queria dormir soluçando e acordar com um bolo na garganta.

Mas ao invés disso, estava acordando bem. Conseguia até rir. Salva pela aspiração da vida que ansiava ter, e pela qual chorava silenciosamente antes de dormir.

E essa vida sorria para ela, seduzindo-a. Envolvendo-a na esperança da conquista, deixando-a tão perto que ela quase podia sentir o gosto de torta de maçã.

Seu medo era cair novamente no conformismo, da mesma forma que antes. Era continuar com os mesmos sonhos de cinco anos atrás, e assim como antes, não conseguir realizá-los.

O pior era o sentimento de impotência. Como lutar contra um destino que fazia questão de esfregar em sua cara que ela estava presa a isso para sempre.

Queria enfrentar o destino da mesma forma que eles fizeram...

Queria ganhar para poder sorrir com propriedade, não mais com seu sorriso conformista. Não queria mais fingir que estava tudo bem. Não queria que estivesse tudo bem se essa fosse a definição de tudo bem.

Não importava o quão satisfeita ela estivesse com essa vida. Ela gostava de tudo o que tinha conquistado, mas a sensação de vazio continuava alí no mesmo lugar, muitas vezes adormecida pelas alegrias que tinha, mas que despertava em sua totalidade como num sábado à noite quando se descobre que meteoros estão destruindo carros.

Estava falando para si mesma. Ninguém ouviria. E se ouvissem não entenderiam. Então ela escrevia essas linhas para si mesma enquanto via seus sonhos acenarem e irem embora, com sempre faziam.

3 comentários:

Garotinha Jê disse...

Não adianta, eu disse...
Não se vai embora sem se deixar uns farelos da gente pelo caminho, pra poder trilhar o caminho de volta depois.
O problema é que sempre vai ter um pássaro filho da puta que vai comer os farelos e aí a gente se perde, e faz o pior caminho de volta, o mais esburacado e espinhoso, e a gente consegue voltar, mas chega todo arrebentado, arranhado, lesionado.
E daí que essas lesões podem nunca sarar...


Eu recebi um conselho esses dias, pra parar de procurar fora o que só vou encontrar dentro de mim. "Vc tem a arma pra ser feliz dentro de vc e não sabe... vc não precisa de ninguém."

Espero que vc descubra isso antes do mundo acabar!

Alé wind disse...

É NÃO SEI...
PRA QUEM FOI?
COMO SEMPRE, ÓTIMO TEXTO!

Aline Barbosa disse...

MAS GENTE POR QUE ISSO SE ENCAIXA PERFEITAMENTE NA MINHA VIDA??
Sério, parece que estou lendo sobre mim mesma, tudo combina perfeitamente bem que chega a ser um pouco assustador.