sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Agosto Despedaçado_About A boy III


Ele é como heroína
Que agora provoca síndrome de abstinência
Que causa o que não devo sentir
Que seja a dor
Ou simplesmente o torpor
Ou o nada que se abriu dentro de mim
Ele, tão puro e leve
Tão suave e distante do que feriria meus princípios
Tão vazio de maldade
Tão suave e viciante
Como heroína.
E eu, na condição de simples mortal
Distante do violão e da história engraçada
Distante da história da qual ele saiu
Eu, apenas viciada
Desmancho-me na percepção do nunca mais
Envolvo-me na escuridão deste início de saudade
Invoco o perdão por desejá-lo
E desisto de me manter sã
Saber da incerteza de encontrá-lo
Mata e dilacera
E eu, apenas eu
Sentirei a falta como se fosse um pedaço de mim a me deixar.
Ele é como heroína
E eu sou simples mortal
Ele é como heroína...

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Do fim do ciclo



Você vai se jogar na frente dos carros, vai perder a memória. Vai pegar o ônibus errado.

Vai se deitar na cadeira e ter espasmos de dor.

E você não vai saber o que fazer. Nunca vai sentir tanta vontade de acabar com tudo (e também tanta coragem para fazê-lo).

Todas as suas forças vão parecer ter se esvaído, e muitas vezes você vai até se esquecer de respirar!

Não vai conseguir se concentrar em nada nem em ninguém.

Não haverá um momento inteiramente feliz.

Você vai remexer o vazio e transformar tudo numa confusão de nadas.

Vai continuar sem conseguir conversar com ninguém e achar que vai acabar explodindo de tanta carga.

Vai pensar em conversas devasto-aliviadoras, mas vai chegar à conclusão, com bastante certeza, de que elas vão continuar no plano das idéias.

Nunca vai se sentir tão só em toda a sua vida, e vai sentir também que uma hora isso vai acabar te matando.

Sua vida será uma versão barata de um filme de quinta categoria. Uma música desritmada e violentamente desafinada. Um quadro gasto e cheio de pó. Um prêmio de consolação por participação.

Os dias vão passar cada vez mais sem sentido e as nuvens negras em volta da sua cabeça vão ficando cada vez maiores e mais carregadas.

Acordar vai ser quase tão difícil quanto se manter respirando. Você vai se esquecer de respirar!

Toda expectativa será uma dor, e seu coração já não aguentará bater tão descompassado.

Em sua mente o futuro é uma incógnita, uma visão embaçada de algo que você desconhece.  E não fará idéia de como será o amanhecer. E vai continuar implorando que amanheça de uma vez...