domingo, 8 de fevereiro de 2009

Malkovich, Malkovich





Ela pensou em mudar. Queria fazer algo novo. Interromper o ciclo estranho que sua vida estava seguindo. Porém, de tanto pensar, descobriu que nada podia fazer.

A revelação de alguns segredos deu-lhe certa calmaria, mas não lhe trouxe a paz. Ela ainda se considera uma das piores pessoas que já conheceu. Ou talvez não...

Ninguém podia mais lhe tirar sua estrada para a revolução, mas ela também já não sabia como percorrê-la. A vida vem sem manual de instruções.

Às vezes enfurecia-se: as pessoas fazem coisas horríveis umas com as outras. Às vezes apenas chorava...

Desiludiu-se. Passou então a catar os cacos de si mesma que ainda restavam pelo chão. E rezava, implorando que ninguém destruísse as partes que ela já havia consertado.

E se sentiu tão sozinha, perdida no mundo, ela e sua vida de loucuras extremamente reais, sozinha. E a dor de se sentir sozinha lhe parecia dolorosa demais para continuar sentindo.

Era como se num momento tivesse tudo, e no outro, absolutamente nada.

Num dia ela teve o encanto e a atração. No outro, apenas sombras que desfilavam à distância, vendendo seus sorrisos para outros olhares.



Se perdendo no abismo que se fez sôb seus pés, se encontrando nas canções que ouvia, tomando doses cavalares da cura após dias de abstinência.

Encontrava em seus lugares preferidos, tanto a paz que precisava quanto o choque da epifania. Dói muito reconhecer certas coisas. Principalmente o que se precisa.

E num delírio do passado, foi a primeira vez que sentiu raiva do garoto da caixa de vidro.
De onde ela havia arrumado encorajamento agora ela encontrava uma espécie de rejeição. Foi posta de lado no momento em que mais precisava de alguém do lado.

E de todos que ela havia amado, novamente só restaram as canções.
Foi recriminada por seu próprio mentor. E ela achava que poderia suportar qualquer coisa menos isso. Ainda lhe doía escutar aquela canção!

Continuava procurando respostas cujas perguntas ela nem sabia.

Preferiu continuar sonhando, e esperava ansiosamente pelo mês de Março. Mesmo que devesse esperar por Abril.

E de todas as suas piores manias, continuava escrevendo em 3º pessoa....


À Phi, com carinho. Feliz Aniversário!

3 comentários:

André disse...

assistir o curioso caso de benjamin button e poucos dias depois ler esse texto eh de arrasar qualquer um!! o pior eh q eu leio de uma perspectiva diferente da maioria dos leitores...vc sabe..eu sei...

Shagaly disse...

Extremamente real e, por isso, imensamemnte cruel...

Engraçado é que o leitor sente a agonia da personagem (da personagem, humm...) até na dificuldade de tentar ler o texto azul no fundo preto. Parece que vc nem queria que ele fosse lido... Bom, apenas uma impressão.

Garotinha Jê disse...

1) Quando foi que eu te dei autorização pra falar sobre mim assim publicamente? :P

2) Amei esse texto, é do tipo "pensamento coletivo", sabe como é? Uma espécie de "vida" que todo mundo tem, "alma" que todo mundo divide... sei lá.

3) Eu amo esse filme!