sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

À Espera Do Amanhecer




Bagunça! Não adiantaria procurar em outra palavra, essa seria com toda a certeza a melhor definição.
As coisas mais preciosas, e antes tão bem guardadas, estavam agora jogadas em sua mesa de toalha azul florida. Não que agora essas coisas não necessitassem mais daquele cuidado especial, é que agora, mais do que nunca ela precisava que aquelas coisas ficassem ao seu alcance, para que suas mãos pudessem tocá-las e sentir que elas estavam alí, à salvo, para salvá-la.
Eram livros, cd's, canetas, fotos, cadernos antigos com segredos atemporais, potes de dinheiro vazios, papéis velhos sem importância, bijuterias e todas aquelas milhões de coisas que salvam uma pessoa em depressão. É claro que estavam faltando os remédios, o cd do NX Zero e a faca para cortar os pulsos (Ai God, fui ao fundo do emo!)
Na sua estante, os olhares atenciosos de seus vigilantes velavam seu sono, e tentavam guiar seus passos enquanto ela estava acordada.
Guardava também uma parte do "caminho de casa". Presente dado por um amigo pra que ela sempre se lembrasse de que teria um lugar pra chamar de lar!
Costumava guardar também seu mundo. Mas este se desfez em pedacinhos e se dispersou feito poeira ao vento.
Estava com raiva e desconhecia a razão. Havia jurado que este ano as coisas seriam diferentes, mas ela continuava sofrendo das mesmas dores e não se consegue parar algo assim da noite para o dia.
Olhando aquele lugar onde podia se esconder do mundo lá fora, tinha todas as lembranças como num filme de longa duração. Conseguia lembrar de todos os momentos que mudaram sua vida: de quando fingiu que estava doente e acabou ficando; de quando o mundo sentiu o poder de decisão que sua mente de 12 anos tinha; de quando, no auge de seus 13 anos, achou que tinha talento; de quando caiu de joelhos diante do que ela chamava de terapia; de quando ela perdoou quando deveria esperniar de revolta e comer o prato congelado da vingança; de todas as vezes que matou centenas de pessoas; de quando aplicou a tão aguaradada injeção de adrenalina; de quando quase tirou a vida daquele que ajudou a dar sentido à sua...
-Sobre o poder de decisão: o mundo inteiro sente as consequências disso até hoje;
-Sobre o talento: descobriu que essa palavra não se encaixava muito bem com ela;
-Sobre o perdão: não se arrependia, mas também não sentia nenhum orgulho;
-Sobre as centenas de pessoas: ela sabia que não seriam os únicos...
-Sobre aquele que dava sentido: percebeu que não conseguiria se perdoar nunca;
Da injeção de adrenalina, sabia que as coisas eram muito mais profundas:
Injetou-se para sustentar um vício (ambiguidade perigosa!). Estava sustentando-o. Mas o vício aumenta quando a necessidade é maior! As consequências da adrenalina estavam-na fazendo surtar. Não podia negar que ganhou um milhão de coisas maravilhosas, mas também não poderia negar que a vida estava dando uma de "Santa Inquisição" e caprichando nas sessões de tortura!
Ela não era mais a mesma, e ainda ia demorar "um muito" pra que o mundo, e ela mesma, se acostumasse, para que as feridas cicatrizassem e, quem sabe até, o vício controlado, causando a ela a libertação...
Na tentativa de amenizar a situação, repetia pr'um amigo todos os dias: "that's the way life is!"
Repetia até se convencer...
E era desse jeito mesmo que iam as coisas: 300 mil lágrimas de cada vez.
E lhe parecia que ia continuar assim. Se bem que poderia mudar. Poderiam ser 10000 de lágrimas de cada vez!
Por que não amanhece de uma vez?!

4 comentários:

Alé wind disse...

iii! sou a primeira a comentar! huahua!! tah lindo o texto viu!!!há, um recadinho: o amanhecer chega mais rápido, qnd a gente abre os olhos! de verdade....

André disse...

fala pra ELA que quanto mais a gente olha para a ferida, mais a gente tem a impressao de que ela esta demorando a cicatrizar!! =*
=*
=*

Aline Shinoda disse...

É só o que eu tenho a dizer:
A foto tá mil vezes melhor do que o texto!

Shagaly disse...

E esse amanhecer que não chega!?!

Em alguns pontos eu lembrei de mim... Deve ser o tal plágio telepático, rs!

Bjs!