domingo, 14 de dezembro de 2008

About a girl


Tudo começou com aquilo que ela chamava de "injeção de adrenalina", que, apesar de ser um grito em busca de liberdade, foi seguido do silenciar de imensas dores.
E veio o cansaço, a vontade de desistir e a necessidade de respirar (que ela sentia que ainda não havia sido suprida). E, como em tudo o que ela fazia, veio a cobrança.
Ah, a cobrança! Um débito que demora a ser pago.
E veio o sentimento de responsabilidade, a obrigação de "crescer", e o desespero do não querer crescer...
Daí surgiu a razão. Ou melhor, as razões pra ser sincera. Um conjunto de razões que sussurraram em seu ouvido que elas, as razões, eram sua única chance de manter-se lúcida, e que a distância poderia matá-la. Ela ainda sente na pele o significado disso!
Suas mãos conseguiam guardar cheiros mais facilmente. Ela acreditava que era o tal do "acumulo de conhecimento"!
Quando ela conversava com pessoas mais jovens, falava como se soubesse tudo sobre a vida, como um avô que conta histórias para os netos.
O engraçado é que ela sabia que as coisas não iam melhorar, que iam ficar cada vez mais pesadas, até que ela chegasse ao ponto da explosão ou do conformismo de se viver vegetando (o que lhe soava mais provável)
Tempo era uma palavra que ela só conseguia pronunciar se viesse acompanhado de "não tenho", "me falta", " preciso", ou qualquer outra palavra que significasse "não posso"!
Meu Deus, e a cobrança! A injusta e repetitiva cobrança que lhe martelavam: "você precisa fazer isso", "você precisa passar mais tempo com a gente". E ela não podia olhar nem pra si mesma!
E como se não bastasse, fantasmas de amigos que resolveram abandoná-la, voltaram assombrando sua inconstante bola de cristal.
No meio de tanta loucura quase matou seu mentor, e demoraria uma eternidade até que ela considerasse a possibilidade de se perdoar.
Indicaram-lhe a estrada para a revolução,mas, novamente, ela ainda não pôde percorrê-la.
Disseram-lhe que não haviam biscoitos para ela, e ela se perguntou quando sobraria algum.
De todo o inesperado e bizarro que poderia lhe acontecer, lhe apareceram logo os sem cabeça, literalmente!
E passou para o topo, foi eleita, e carrega a responsabilidade de juntar os cacos de um coração partido, até que alguém com os pré requisitos possa colocar definitivamente tudo no lugar.
Perguntava-se em que estrada se perder, mas para estar naquela que levava à revolução, pagava-se muito caro, e a estrada de pincel já tinha sido apresentada como uma das que não haviam sobrado.
Olhou, seduziu e foi seduzida, abandonou e foi abandonada, e agora escuta sons estranhos quando vai dormir. Se encantou!
Continua guardando numa caixa as lembranças que quer levar por toda a vida.
E ela adivinhou de novo! Adivinha quem está por perto outra vez?!
Criava frases filosóficas para tentar explicar dores da alma que nem Platão saberia explicar. Freud sequer ousaria...
Ela até que estava tentando fazer planos seguros dessa vez, mas ela gostava dos sonhos como um incendiário. E adivinhou um mundo no escrever de uma frase.
E ela queria achar o caminho de casa. Queria ir pra longe, para nunca mais voltar. Ou talvez até voltasse, para contar como foi sua vida de morte.
Qual direção ela deveria tomar quando a vida não apontava nenhum caminho?
E ela percebeu que o mundo não parava de girar, e que as dores do passado não parariam de sangrar. Então ela sentou e ficou esperando, ninguém sabe pelo que.
Parece que ela espera até hoje...

4 comentários:

Jessy disse...

Peraí!!
não seria eu essa garota??
Gente, parece que vc entrou em meus pensamentos e traduziu em palavras tudo o q está se passando comigo... tudo o q estou sentindo...

Tem injeção de adrenalina sobrando aí?? ou quem sabe uma de ânimo??
Uma q tire o cansaço?? a tristeza?
seria tão bom se existissem...

mas... a vida é cheia desses percalços e que temos de enfrentar.. senão não teria graça e não saberíamos como vencer sem
passar pelos obstáculos.

Saudades........

Beijossss

da sua coleguinha de sempre!

Shagaly disse...

Totalmente autobiográfico!!! Vc praticamente deixou explodir tudo aquilo que estava engasgado em sua garganta, ou melhor, em seu coraçao... em termos médicos, em sua cabeça! Como isso deve ter sido bom!!!

Eu ainda acho que é perigoso deixar-se dominar pelo tempo, até pq ele não nos dá muitas chances e polda as poucas que aparecem... É uma boa estratégia para deixar nossa vida ainda mais inútil. Prefiro que vc dê um considerável tapa na cara do tempo, o decepcione, por favor!!! Ainda é hora de tecer escolhas, não a favor do tempo, mas, a favor de vc.

André disse...

each one of your friends keeps a cookie packet to give you one by one so that they don't run out.there will always be cookies for you. and you're already on your way home: our lives.

Guel disse...

"Tempo era uma palavra que ela só conseguia pronunciar se viesse acompanhado de "não tenho", "me falta", " preciso", ou qualquer outra palavra que significasse "não posso"!"

Acho q tempo, Aline, é questão de escolha. Se vc não tem tempo pra certas coisas é pq priorizou outras! E com certeza vc tá priorizando essa vida q ñ quer levar!

Tá em tempo ainda de parar de vegetar... parar de esperar... e simplesmente FAZER e VIVER!!
=P