sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Ainda vejo aviões


Ainda sinto um embrulho no estômago ao lembrar de minhas vítimas.
Hannibal Lecter sentiria inveja de mim.
Já tirei a vida de mais pessoas num único episódio do que qualquer serial killer.
Não faço planos, apenas mostro-lhes a execução.
Despedacei o mundo de muita gente. Arranquei-lhes as pessoas que eles mais amavam.
Espalhei o sofrimento e a dor.
Não há dúvidas de que haverão outras mortes, outros corações dilacerados, outros corpos queimados, outras tempestades, outras tsunamis, outros assassinatos, outras overdoses, outros suicídios.
Carrego um cemitério na cabeça e armas no coração.
Ainda sonho.
Ainda penso.
Ainda escrevo.
Ainda vejo aviões...

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Despedida


Destino. Aquela coisa na qual a gente põe a culpa quando as coisas dão errado. Isso, é claro, quando a gente não põe a culpa em Deus!

Nesse momento ele estava amaldiçoando o destino por ter colocado, na vida da pessoa que ele mais amava no mundo, um outro caminho para ser feliz... Sozinha!
"O amor é egoísta!" Frase que ele repetia para si mesmo como desculpa por não querer que ela fosse embora. Mesmo sabendo que pra ela era um sonho que estava se realizando.

Quando soube que ela iria pra fora do país, ele chorou por dias. Não conseguia entender como os sonhos dela poderiam ser tão diferentes dos dele. Por qual estúpido motivo ela não poderia querer uma vida normal como todo mundo?! Ela tinha que querer fazer uma coisa tão diferente? E o pior, ela tinha que conseguir? Não era justo, e ela também sabia!

Agora ele lembrava de suas conversas, quando eles faziam planos. Ela sempre insistia em colocar sua "suposta futura vida" longe daqui, suas mil e uma viagens ao redor do mundo, as festas badaladas em que iria, os amigos famosos que teria e o quão famosa ela também seria. Por fim, dizia que ele estaria lá, do lado dela, dando-lhe forças. Ela costumava dizer que já não via sua vida sem a dele, e sem esse futuro com o qual ela tanto sonhava.

Ele chegou a achar que ela se esqueceria, se conformaria com a vida real, aceitaria os planos de uma vida simples. Mas aí aconteceu.
Como que do nada o sonho da mulher que ele amava se realizou, e como num estalo ele percebeu que não haveria espaço para ele nessa nova vida.
Eles tinham sonhos diferentes. Diferentes demais. Almas gêmeas sem um caminho em comum.

E lá estava ele, no lugar onde se conheceram, para também se despedirem. Ela viajaria amanhã para a vida de sonho dela, e ele seria apenas mais um espectador.
Ela já estava atrasada uns 30 minutos, e ele sorria. Era o jeito dela. Ela mesma chegou a dizer que isso era um charme. E ele esperava pacientemente.
De onde ele estava podia ver todos aqueles corpos se balançando ao som da música que um dia já o havia embalado.

Aquelas pessoas sorridentes e despreocupadas não podiam perceber o ar triste e desconsolador que pairava sobre ele naquele momento. O mundo havia caído bem debaixo dos seus pés e ele nem podia gritar. A perversidade do momento tirou-lhe as forças.
Ela chegou. Vestida de jeans e camiseta. Linda! E já não era mais dele.

A camiseta fora presente dele pelo último aniversário de namoro. Uma camiseta do LINKIN PARK, banda cuja música estava tocando no instante do primeiro beijo. Uma das coisas mais perfeitas e românticas da vida dele, mesmo sendo difícil de imaginar um momento romântico ao som de "One Step Closer".

Ela beijou-lhe o rosto e sentou-se do seu lado. Que universo de pensamentos estaria passando pela cabeça dela agora, ele jamais saberia. Havia perdido o dom de adivinhar seus desejos havia um mês.

Não parecia estranhos, mas também não pareciam se conhecer muito bem. E se olharam em silêncio por segundos que duraram uma eternidade.

Ela começou a falar e ele foi tomado por um entorpecimento ao som de suas palavras. Não conseguia acreditar que seu mundo acabaria daquela forma.

Ele disse que não poderiam se enganar. Ela jamais voltaria e eles sabiam disso. Era o fim e era tudo.

Ela disse: "Eu te amo... Mas eu tenho os meus sonhos.

Ele: "Eu entendo que você tenha os seus sonhos, o que eu não consigo é te deixar ir embora!"

Ela: "Mesmo que a gente nunca mais volte a ficar junto, eu jamais poderei esquecer você."

Ele: "Eu sei, e é isso que me mantém respirando."

Ela se levantou, beijou-lhe novamente a face e disse: "Eu te amo, mas escolhi meus sonhos... O que não quer dizer que eu não te ame com tudo que eu posso!"

Ele: "Talvez eu não entenda completamente, mas eu entendo."

Ela disse que precisava ir, ainda tinha muito o que providenciar sobre a viagem do dia seguinte. Beijou-lhe novamente a face e disse com uma intensidade dilacerante: "Eu te amo!"

E finalmente ele conseguiu responder: " Não mais do que eu a você!"

E levantou-se, tomou-a nos braços e a beijou como se o simples ato de não fazê-lo fosse lhe arrancar as forças vitais.

Depois ele a olhou fixamente e disse: " Agora vá, antes que meu coração não permita!"

Ela sorriu e se foi.

E antes que ele a perdesse completamente de vista, palavras entrecortadas por soluços foram balbuciadas por aquele amante desesperado:

-"Não mais do que eu a você!"

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Songs To Love And Dye By_Início


Quando comecei com essa parada de "canções para amar e morrer" não imaginei como isso poderia se tornar significativo. Pra falar a verdade, eu não fazia idéia do que seria esse projeto, então deixei que a própria música me guiasse até onde ela achasse melhor. Acho que ela está me guiando direitinho!
Mas vamos começar do começo.
A frase "canções para amar e morrer" chegou a mim como título de um episódio de "One Tree Hill", aliás um puta episódio (com o perdão da chula palavra). E como todos os episódios de One Tree Hill, me tocou profundamente. Uma história bonita, cheia de dor, de amor e de música!
O nome do episódio não me saía da cabeça. Cheguei a colocá-la como frase do Orkut por uma semana. Na mesma época fui hipnotizada e seduzida por uma música de riffs de guitarra poderosos e de um vocal inevitavelmente tocante.
A música, "No Roads Left" da minha banda favorita (é LINKIN PARK porra!!!), também foi parar no meu Orkut, no aplicativo minha música (se quiserem conferir se a música é tudo isso mesmo passem lá, a música é perfeita!).
Não podia dar em outra. A frase "canções para amar e morrer" e a música "No Roads Left" não podiam ter ido parar juntas por acaso. As duas estavam me chamando.
Como além de estar no meu Orkut elas não saíam da minha cabeça, decifrei o código misterioso entre elas e coloquei o meu "interessantíssimo" projeto fantasma em prática.
Pela lógica, eu teria que ser a primeira pessoa a fazer uma lista das minhas "canções para amar e morrer", mas como meu alter-ego tem vontade própria e adora me deixar ansiosa, decidimos por consenso (dela) de que era melhor só observarmos por um tempo.
Aos amigos, a frase era dita seguida de uma "explicação filosófica", meio óbvia às vezes, mas que atiçava o desejo musical deles.
Uma das coisas mais legais dessa "pesquisa de opinião" é ver como as pessoas "morrem" com músicas tão diferentes. Às vezes é só a melodia que lhe tira as forças, outras só a letra, e na melhor das circunstâncias é a junção das duas que te derrubam, te fazendo cair no mar de libertação que é o deleite musical.
Outra coisa linda é a unanimidade. O fato de pessoas tão diferentes amarem a mesma música. E morrerem por ela...
Falando de unanimidades, havia uma pergunta que todos me faziam: "o que você vai fazer com essas músicas?" E como já confessei, eu não fazia idéia do que iria fazer com elas, só sabia que precisava conhecê-las e reuni-las.
Bem, da mesma forma inesperada como chegaram a frase e a música que deram origem a toda essa diversidade, me vieram duas idéias interessantíssimas sobre o que fazer com elas. Mas é claro que eu não vou abrir o jogo assim tão facilmente!
A questão é que preciso esperar por mais "canções para amar e morrer", escutá-las, e , quem sabe, descobrir a razão tão única e individual pela qual as pessoas as amam e morrem por elas.
E por enquanto é só isso. Que venham mais canções, para mim e para vocês, para que nós possamos amá-las e, principalmente, morrer por elas!
Até a próxima!