segunda-feira, 21 de julho de 2008


Um encontro marcado com seis meses de antecedência.

Marcado por um início nada feliz, um desenvolvimento sofrido e um fim espetacular. Aliás, não se pode chamar isso de fim. Isso não está com cara de fim!

No início, dor desnorteadora, seguida daquela vontade de querer consertar tudo, mas que se vê vencida pela impotência. "Como vencer a morte?", insistia uma voz interior, tentando me convencer de que, por mais que eu tentasse, não conseguiria mudar os fatos.

Depois veio a maldita confusão de pensamentos, acompanhada do sentimento de culpa que se entranhou em mim desde o primeiro instante.

Mal conseguia respirar, viver um dia de cada vez parecia impossível. Na verdade parecia que eu estava morrendo um pouco mais a cada dia. E a sensação de morte é insuportável.

Daí o encontro foi marcado. Por muitas razões: a culpa; um inquietante sentimento de obrigação, como se eu fosse pagar uma dívida; o desejo enorme de um encontro inédito; e, talvez a maior e mais perigosa de todas as razões, a revelação de um segredo.

A espera foi ansiosa e muitas lágrimas foram derramadas. Milhões de tentativas de reparação foram tentadas. Algumas sem muito sucesso, outras que causaram um choque irremediável.

Parecia que o tempo não passava. A dor da espera era quase insuportável. Me agarrava a qualquer coisa que pudesse nos ligar de alguma forma. E fui assim, me entregando à loucura para manter a sanidade.

As notícias chegavam como um raio. Eu consumia todas as novidades com a fome de um refugiado de guerra. As informações vinham de todos os lados e a voracidade com a qual eu as absorvia era assustadora, e chegou a me lembrar da minha época de psicopata.

Faltando uma semana para o tão esperado encontro fui acometida pelos mais nítidos sintomas da chegada. Primeiro veio aquela estranha e deliciosa expectativa, daí o formigamento, o medo e a dor de estômago. O nervosismo era aparente. A ansiedade era um "bicho-papão" que passou uns dias feito minha sombra. Cheguei a fazer ligações com desculpas absurdas na esperança de que alguém confessasse que sentia o mesmo.

Pedi ajuda, e houveram frases que tiveram o impacto de uma "tsunami de água fria". Nunca me senti tão sozinha e tão entulhada de gente ao mesmo tempo.

Um dia antes do fatídico encontro, já tava dando pra brincar de "Piratas do Caribe" no meu quarto, por que as inúmeras lágrimas que derramei formaram um oceano ao meu redor.

Minhas unhas só escaparam de ser roídas pela singela razão de que eu as havia pintado em força da ocasião especial. Geralmente tenho preguiça de pintá-las, mas desta vez era diferente, tinha que ocupar meu tempo com o que quer que fosse, ou morreria de ansiedade.

Então chegou o dia. Cobri o nervoso com um lenço vermelho e fui ao local decidido. Mas não fui sozinha. Levei comigo um exército de mãos que me segurassem e de ombros que amparassem minha cabeça cansada e confusa. Eram ao todo oito ombros e mãos.

Precisei de drogas para me acalmar e tive que sustentar meu vício por jujubas, compartilhado por um soldado do exército de ombros e mãos.

E em meio a jujubas roxas e verdes fomos encontrá-lo.

Primeiro nos deparamos com uma representação dele. O primeiro prato daquele espetacular banquete que nos esperava.

Ele chegou, tão perfeito e inconfundível que finalmente pude responder à altura daquela maldita voz interior que me perguntava: "Como vencer a morte?" Pois é! Dessa forma ele lutou e venceu.

Eu já sabia que ele não viria sozinho, só não sabia que viria tão bem acompanhado. Seu grupo estava tão impecável quanto ele.

Ele nos assustou, nos fez rir e está nos dando um trabalhão até agora: precisamos de uma palavra mais significativa que perfeição para definir a ele e a seu time.

Mas para mim ele preparou algo ainda maior: absolveu-me da culpa, transformou meu sentimento de obrigação num deleite enlouquecedoramente extravagante e me revelou seu segredo. O segredo que me puxou pela mão e me guiou até esse encontro.

Ele era o segredo. Ele, o tempo todo. Ele era o segredo que foi revelado para todos.

Mas o "depois" ninguém nunca vai saber. Foi compartilhado apenas com aqueles que identificaram o segredo através do segredo, e nada me tira da cabeça de que para cada um foi revelado algo extremamente diferente!

Alguns adotaram essa explicação. Outros preferem dizer que o grande segredo é que não existe segredo nenhum!

Eu?! Eu marquei outro encontro! Quero provar de novo do segredo!

Um comentário:

Dona do Caos disse...

A loucura é o deleite dos meus olhos... Creio que foram essas as palavras que usei para definir o efeito dilacerante das jujubas de limão. A perfeição não se define, apenas se contempla.