quarta-feira, 23 de julho de 2008

Happy friend's day!


Às vezes a vida parece coisa de cinema, e dessa vez foi demais, como num episódio de "One Tree Hill".
A trilha sonora, de artista desconhecido por mim, estava à altura. Era um instrumental melancólico e bonito, conseguia dar paz e assustar ao mesmo tempo.
O roteiro, ainda inacabado, começou com uma previsão que foi logo posta de lado, mas que deveria ser levada a sério. Depois veio o susto, e a maldita epifania seguida das lágrimas.
O Dia do Amigo só ganhou significado pela razão de estarmos todos reunidos em prol de um amigo, mas perdeu completamente aquela expectativa otimista de ser um dia feliz.
Susto, preocupação, lágrimas inéditas, abraços acanhados e eu fazendo pose de forte, mas definhando por dentro.
A direção foi de um cara bastante experiente, que não nos deixou na mão e cuidou de nos trazer um pouco de paz mesmo naquele momento.
A fotografia podia ter sido melhor. Não me agrada muito a idéia de um set de filmagem ser um hospital. Nós só vamos a hospitais quando tem alguma coisa muito ruim acontecendo!
Os personagens principais, nós, amigos.
A produção foi feita pelo braço direito do diretor.
As fotos de divulgação serão, com certeza, nossos rostos alegres comemorando a vitória diante de mais um obstáculo e nos preparando para o episódio seguinte!

Releitura de mim


Eu sou feita de música
Música que ninguém contou
Música que todos sabem
Sou feita de palavras soltas
Alinhadas na devassidão do desejo
E novamente espalhadas pela ânsia do recolhimento
Sou princípio do que não houve e fim de quase tudo
Sou parte da vida de todo mundo
E da de ninguém
Aproveitamento do mal
Enriquecimento do bem
Provérbio mal escrito
Verbo sem conjugação
Substantivo comum
Impróprio para muitos
O poder da decisão
Tenho as mãos manchadas de sangue
Carrego a culpa de centena de mortes
Sou procura insensata
Encontro fatídico
Vírus inofensivo
Cura improvável
Sou roteiro inacabado
De fotografia incerta
Numa ação dramática
de Poemas Outros Trazidos feito Canção
de Lugares Omitidos de Tempos Remotos
de Loucuras Próprias
Sou medo de mim
Solidão certa
Indefinido tempo
Artigo indefinido
Lição de moral
Imoralidade escapando pelos poros
E retraindo-se outra vez
Medo do talvez
Dor insensata
Mania irremediável
Conceituação irregular
Medo do escuro
Fábula inssossa
Letra e música
Árvore de raízes profundas e frágeis
Animal escondido e acuado procurando redenção
Poço de lágrimas
Imensidão de mundo
Exagero de sentimentos
Um alter ego gritante
Força absoluta
De uma fraqueza insolucionável
Medo de todos
Imprecisão assustadora
Detalhes de tudo
Conhecimento do nada
Sou filme, música e dor
O mar arrebentando em mim
Sou a luta e a fadiga
O controle e a indecisão
Resto de mundo e começo de universo
Uma vida contada
Um segredo escondido
A loucura revelada
O eu e o outro
Mais o outro do que eu
Eu...

segunda-feira, 21 de julho de 2008


Um encontro marcado com seis meses de antecedência.

Marcado por um início nada feliz, um desenvolvimento sofrido e um fim espetacular. Aliás, não se pode chamar isso de fim. Isso não está com cara de fim!

No início, dor desnorteadora, seguida daquela vontade de querer consertar tudo, mas que se vê vencida pela impotência. "Como vencer a morte?", insistia uma voz interior, tentando me convencer de que, por mais que eu tentasse, não conseguiria mudar os fatos.

Depois veio a maldita confusão de pensamentos, acompanhada do sentimento de culpa que se entranhou em mim desde o primeiro instante.

Mal conseguia respirar, viver um dia de cada vez parecia impossível. Na verdade parecia que eu estava morrendo um pouco mais a cada dia. E a sensação de morte é insuportável.

Daí o encontro foi marcado. Por muitas razões: a culpa; um inquietante sentimento de obrigação, como se eu fosse pagar uma dívida; o desejo enorme de um encontro inédito; e, talvez a maior e mais perigosa de todas as razões, a revelação de um segredo.

A espera foi ansiosa e muitas lágrimas foram derramadas. Milhões de tentativas de reparação foram tentadas. Algumas sem muito sucesso, outras que causaram um choque irremediável.

Parecia que o tempo não passava. A dor da espera era quase insuportável. Me agarrava a qualquer coisa que pudesse nos ligar de alguma forma. E fui assim, me entregando à loucura para manter a sanidade.

As notícias chegavam como um raio. Eu consumia todas as novidades com a fome de um refugiado de guerra. As informações vinham de todos os lados e a voracidade com a qual eu as absorvia era assustadora, e chegou a me lembrar da minha época de psicopata.

Faltando uma semana para o tão esperado encontro fui acometida pelos mais nítidos sintomas da chegada. Primeiro veio aquela estranha e deliciosa expectativa, daí o formigamento, o medo e a dor de estômago. O nervosismo era aparente. A ansiedade era um "bicho-papão" que passou uns dias feito minha sombra. Cheguei a fazer ligações com desculpas absurdas na esperança de que alguém confessasse que sentia o mesmo.

Pedi ajuda, e houveram frases que tiveram o impacto de uma "tsunami de água fria". Nunca me senti tão sozinha e tão entulhada de gente ao mesmo tempo.

Um dia antes do fatídico encontro, já tava dando pra brincar de "Piratas do Caribe" no meu quarto, por que as inúmeras lágrimas que derramei formaram um oceano ao meu redor.

Minhas unhas só escaparam de ser roídas pela singela razão de que eu as havia pintado em força da ocasião especial. Geralmente tenho preguiça de pintá-las, mas desta vez era diferente, tinha que ocupar meu tempo com o que quer que fosse, ou morreria de ansiedade.

Então chegou o dia. Cobri o nervoso com um lenço vermelho e fui ao local decidido. Mas não fui sozinha. Levei comigo um exército de mãos que me segurassem e de ombros que amparassem minha cabeça cansada e confusa. Eram ao todo oito ombros e mãos.

Precisei de drogas para me acalmar e tive que sustentar meu vício por jujubas, compartilhado por um soldado do exército de ombros e mãos.

E em meio a jujubas roxas e verdes fomos encontrá-lo.

Primeiro nos deparamos com uma representação dele. O primeiro prato daquele espetacular banquete que nos esperava.

Ele chegou, tão perfeito e inconfundível que finalmente pude responder à altura daquela maldita voz interior que me perguntava: "Como vencer a morte?" Pois é! Dessa forma ele lutou e venceu.

Eu já sabia que ele não viria sozinho, só não sabia que viria tão bem acompanhado. Seu grupo estava tão impecável quanto ele.

Ele nos assustou, nos fez rir e está nos dando um trabalhão até agora: precisamos de uma palavra mais significativa que perfeição para definir a ele e a seu time.

Mas para mim ele preparou algo ainda maior: absolveu-me da culpa, transformou meu sentimento de obrigação num deleite enlouquecedoramente extravagante e me revelou seu segredo. O segredo que me puxou pela mão e me guiou até esse encontro.

Ele era o segredo. Ele, o tempo todo. Ele era o segredo que foi revelado para todos.

Mas o "depois" ninguém nunca vai saber. Foi compartilhado apenas com aqueles que identificaram o segredo através do segredo, e nada me tira da cabeça de que para cada um foi revelado algo extremamente diferente!

Alguns adotaram essa explicação. Outros preferem dizer que o grande segredo é que não existe segredo nenhum!

Eu?! Eu marquei outro encontro! Quero provar de novo do segredo!